Intermitente diário dia 21de outubro de 2026

Faz alguns dias que não escrevo porque eu quis, antes de tudo, pensar sobre o que vou escrever. Tanta coisa corre em catadupa nas notícias do dia que nem dá tempo para pensar. Tenho andado entediado e cheio de preguiça que não conseguia decidir se colocava ou não neste diário algo sobre tema tão complexo e que pode levantar as opiniões de ânimos exaltados. Hoje muitos vão detestar o que escrevo. Mas que importa? Quero escrever, e mais do que isso, quero trazer ao de cima o bom e o mau, sobretudo o mau que vem à tona. Mas nem sempre é assim, o que é mau para uns é bom para outros e vice-versa.
Como tenho a percepção de que poucos irão ler estas minhas opiniões que atende pelo pomposo nome de intermitente diário, posso escrever à vontade o que penso, mesmo disparates. A fim de destacar na minha fraca imaginação vou anotar aqui uma série de factos corriqueiros, como faz a maioria.
Ontem à noite ao terminar de ver e ler os últimos títulos das notícias TV e imprensa o meu olhar caiu sobre vários títulos. Fiquei a pensar enquanto olhava para o ecrã do PC que qualquer um pode rabiscar algumas tolices, com letra bem grande e espaçada, mas a dificuldade era provar, acima de tudo, a necessidade que se tem de se desabafar sobre coisas que se vêem, mas não se vivem..
As manifestações pelo direito à habitação são o mote. Manifestações que para grande espanto meu são uma misturada de vários outros movimentos, como a favor da causa palestiniana e outras causas à margem, fazem disto uma espécie de carnaval e manifestação burlesca. A habitação é de facto um velho problema e é um direito, pelo menos é isso que consta do artigo 65º ponto 1 da Constituição da República: "Todos têm direito, para si e para a sua família, a uma habitação de dimensão adequada, em condições de higiene e conforto e que preserve a intimidade pessoal e a privacidade familiar." Ponto cheio boas intenções, mas que não passa disso.
Tendas, tendinhas em acampadas em praças públicas e manifestações pacificas e acrescentos de violência tem sido o prato forte para a maior parte dos jovens manifestantes. Após o despejo, na semana passada, de Maricarmen Abascal, de 87em Madrid os protestos intensificaram-se e chegam por mimetismo ao nosso Portugal.
As centenas de milhares de pessoas, as maior parte jovens influenciados talvez por influenciadores de matiz provocador e extremistas de esquerda estão indignados, e com razão.
Todos querem uma habitação a que terão direito. Mas coloca-se um a questão: que habitação se reivindica? E para quando? Para já? São dezenas ou centenas de milhar que querem uma casa para si. Mas, a isso todos têm direito e querem.
Queixam-se com razão dos preços dos quartos e das casas para alugar que são incomportáveis para eles. Têm razão!
Todos querem vir estudar para as grandes cidades. Abandonam as suas terras apesar de haver universidades donde eles vêm com cursos que escolheram. Há exceções claro!
Protestam por que não conseguem comprar casa devido aos juros altos. Nem alugar casa ou um quarto devido às rendas altíssimas. É certo.
Mas há algo que não se percebe. Estranho é que, sobretudo nos meses de férias, proliferam concertos de música por todo o país e todos eles esgotados e não são nada acessíveis. Pra tal à dinheiro, e para a cerveja que corre em cascata por todo o lado. Os bares e discotecas enchem-se de jovens que se embriagam até à queda. O dinheiro aparece, não se queixam dos preços. Precisam de se divertir, dizem. Concordo, mas a vida é vivida escolhendo opções.
