O Intermitente Diário

Assaltos a órgãos de comunicação era o que mais faltava

Esta situação do assalto à RUC trouxe-me uma recordação e uma questão preocupante que é a de saber de como é que tudo começa. A resposta seria: ao de leve, de levezinho…

Intermitente Diário do dia 15 de outubro de 2026

Escrevo este Intermitente Diário mais para mim do que para outros, o que tem duas vantagens: provavelmente todos ficam contentes quando não escrevo ou quando escrevo pouco. Por outro lado, não preciso de me aborrecer com opiniões dos outros.

Como acho as opiniões dos outros quase sempre tolas e só as minhas certas, o melhor é não escrever nada. Procedo da mesma maneira quando se vai jantar a casa de amigos e nos apresentam uma comida de que não se gosta, eles não têm a culpa, claro. Imagino que é muito bom. Finjo que assim penso para não desgostar os anfitriões.  

Não sei se já repararam que nem sempre o que escrevo num dia corresponde ao que pensei, li, ouvi ou vi nesse mesmo dia, apesar de fazer um esforço para isso. São episódios que me ocorrem em qualquer momento e em qualquer altura.

Hoje resolvi divagar sobre as minhas desinteressantes e radicais opiniões. Assim, comecei a extravagar a partir duma imagem emitida pelo Jornal Nacional da TVI sobre o caso da invasão à Rádio Universidade de Coimbra, na manhã segunda-feira, 12 de setembro, por vários membros do partido Chega, incluindo as deputadas Rita Matias e Madalena Cordeiro.

A leitura duma imagem não é fácil por ser conotativa. A abordagem das leituras teóricas da imagem pode é transdisciplinar e relaciona a imagem ao contexto histórico, social, antropológico e educativo. Vejamos então: a indumentária não é farda! Apenas camisola que sugere uma força de propaganda, ocupação e ataque por parte do partido que efetuou a operação de assalto. Os dois personagens, em pé, parecem estar a prestar proteção aos participantes da ocupação, embora com uma inocente expressão aparentemente de vigilância e controle.

Cá vou eu para o contexto histórico, mas não tenho culpa destas aproximações, sou assim, não tenho jeito para a escrita objetiva, divago sempre.

Como já disse, embora em contextos diferentes, foram atitudes como estas que começou o ataque ao poder pelos nazis na Alemanha fundação 1919, assim como foi o braço paramilitar do Partido Nacional Fascista de Benito Mussolini na Itália, fundação 1921. A um assalto a um órgão de comunicação é um susto a que se segue outro e outro.

Esta situação trouxe-me uma recordação e uma questão preocupante que é a de saber de como é que tudo começa. A resposta seria: ao de leve, de levezinho…

Não lhes estou a dizer que o partido em causa esteja a trabalhar nos mesmo moldes nem como tal se pareça, mas, como diz o povo, o futuro a Deus pertence. Esta é apenas uma comparação doentia e receosa da minha parte. Mas tenham calma nada disso vai acontecer aqui no nosso mundinho desde que, como é evidente, os partidos democráticos não se deixem conduzir para essas vias.

Os tempos são de perigo. O Mundo está a mudar e as polarizações sucedem-se. A imagem são apenas aproximações. Meras aproximações, claro!

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